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A ascensão de Hitler foi um acidente da história e o desfecho inevitável de uma democracia doente ou o resultado de uma escolha deliberada? É essa pergunta incômoda que Johann Chapoutot responde em Os irresponsáveis: quem levou Hitler ao poder?
Longe de ser uma fatalidade, a chegada dos nazistas ao poder foi obra de uma oligarquia que, para defender seus privilégios e não arriscar suas fortunas, preferiu desmontar a República de Weimar. No centro dessa história estão figuras como Franz von Papen, Kurt von Schleicher e o círculo mais próximo do presidente Paul von Hindenburg. Para eles, Hitler não passava de um amador a ser domesticado, a força popular que faltava a uma direita sem base eleitoral. Os irresponsáveis do título são esses liberais autoritários, militares, grandes industriais, proprietários de terras, magnatas da imprensa e aristocratas convencidos de que poderiam usar o movimento nazista como tropa de choque na luta de classes, para depois descartá-lo.
Chapoutot reconstrói com precisão os mecanismos jurídicos dessa erosão. Mostra como o uso abusivo da Constituição transformou o regime em um presidencialismo autoritário capaz de contornar o parlamento e concentrar poderes excepcionais nas mãos de um chefe de Estado manipulável; um projeto que pretendia substituir o debate democrático por uma austeridade imposta de cima, que garantiria a supremacia do Executivo e os interesses dos proprietários.
Além de um importante estudo histórico, Os irresponsáveis é um alerta. Ao aproximar a crise da década de 1930 das fragilidades das democracias atuais, Chapoutot adverte contra a repetição do fenômeno: um “extremo centro” que acaba preferindo o autoritarismo à perda de privilégios. Ao expor a irresponsabilidade daquela oligarquia, o autor lembra que tal escolha pode, mais uma vez, abrir as portas para a extrema direita e seu projeto de destruição.
Os irresponsáveis
Autor: Johann Chapoutot
ISBN: 9786584972254
Edição: 1ª
Ano de publicação: 2026
Páginas: 350 (estimadas)
Dimensões: 16cm x 23cm
Peso: 0,400
Encadernação: brochura
Tradução: Clóvis Marques
Preparação e revisão: Da Vinci Livros
Capa: Maikon Nery
Johann Chapoutot é professor de história contemporânea na Universidade de Sorbonne e especialista em Alemanha nazista. Seus livros foram traduzidos para treze idiomas e laureados na França e no exterior, incluindo os prêmios da Academia Francesa, Cherasco Storia, da Itália, e Yad Vashem International Book Prize for Holocaust Research.
Depois de estudar a noção de tempo entre os nazistas (Le National-socialisme et l'Antiquité, 2008, PUF), Chapoutot explorou a cultura normativa nazista (La Loi du sang. Penser et agir en nazi, 2014, Gallimard; A revolução cultural nazista, 2022, Da Vinci), antes de questionar o papel do nazismo na sociedade ocidental contemporânea (Livres para obedecer: a gestão, do nazismo aos nossos dias, 2023, Da Vinci). Publicou também obras que oferecem uma reflexão geral sobre a história contemporânea (Le Grand Récit, 2021, PUF) e sobre a história da escrita (Les 100 mots de l'Histoire, 2021, PUF), além de um pequeno texto, escrito com Dominique Bourg, denunciando a impotência das autoridades públicas apesar dos perigos do aquecimento global (“Chaque geste compte”. Manifeste contre l'impuissance publique, 2017, Gallimard). Nomeado professor da Universidade de Sorbonne aos 35 anos, Chapoutot é um dos docentes mais jovens a ser recrutado nesta instituição de quase mil anos.

